Aliança Láctea Sul Brasileira alinha estratégias para 2018

Entidade representativa tem por objetivo alinhar as ações para o desenvolvimento do setor leiteiro da região Sul

 Os representantes do setor lácteo do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul reuniram-se no último dia 1º de março, na sede do Sistema FAEP/SENAR-PR, em Curitiba, para a primeira reunião de 2018 da Aliança Láctea Sul Brasileira. A entidade representativa tem por objetivo alinhar as ações para o desenvolvimento do setor leiteiro da região Sul do país, que responde por mais de um terço da produção nacional.

Além de representantes da indústria, dos produtores e de diversas entidades ligadas à essa atividade, a reunião contou com participação do secretário de Estado da Agricultura do Paraná, Norberto Ortigara, e do secretário catarinense da Agricultura, Airton Spies, além do assessor técnico Fernando Groff, que na ocasião representou o secretário estadual de Agricultura do Rio Grande do Sul.

Segundo Ronei Volpi, atual coordenador geral da Aliança Láctea Sul Brasileira, desde que a entidade foi formalizada, em 2014, o setor passou por maus momentos, como o ano de 2017, quando a recessão econômica afetou o consumo de produtos lácteos mais elaborados, reduzindo o preço da matéria prima e consequentemente afetando os ganhos dos produtores. “Essa não foi a primeira nem a última crise que enfrentamos. Mais do que nunca, temos que trabalhar em conjunto”, afirmou.

Na visão dos participantes, está em curso um deslocamento da produção nacional de leite do Sudeste para o Sul. “Hoje a nossa região responde por 38% da produção. Em 2023 metade do leite brasileiro virá do Sul”, apontou Spies. Neste cenário, é necessário um equilíbrio fino entre oferta e demanda para absorver a produção excedente. “Temos que nos conectar ao mercado global para absorver essa situação, no passado, como não havia válvula de escape para o mercado externo, houve crise nos preços”, avaliou.

Com isso, é necessário trabalhar com foco na exportação de produtos lácteos, em especial queijos, leite em pó e manteiga. Na visão do secretário catarinense, para atingir esse objetivo é preciso buscar três fatores: maior qualidade no leite, custo de produção competitivo e uma cadeia logística capaz de atender esse mercado.

Na opinião do secretário de Agricultura do Paraná, para que a cadeia láctea cresça como um todo, é preciso qualificar seus elos. “Por que a cadeia do peixe dá certo? Porque se organizou, e em poucos anos já estava exportando. Precisamos criar um ambiente para pensar o leite como algo viável em curto prazo”, avaliou Ortigara.

Dentre os encaminhamentos que irão nortear as próximas ações da Aliança Láctea estão a consolidação da região Sul como eixo produtor em relação ao mercado brasileiro e a sua preparação para se tornar um player global, a necessidade de uma participação mais efetiva da indústria nesse processo e, por fim, a harmonização das estratégias de defesa sanitária entre os três Estados do Sul.

A próxima reunião da Aliança Láctea deve ocorrer em maio deste ano em Chapecó (SC)